
Sinto algo estranho no ar. Sempre achei isso meio clichê e, particularmente, nunca gostei dessa estória de dizer que amadureci, porque sempre achei maturidade algo muito relativo e, nem sempre, sinônimo de progresso. Enfim, são frases soltas que a gente ouve e que mudam nossas perspectivas, pequenos gestos que são feitos ou deixados de fazer. Estou esquisita. De repente fiquei mais regular, não chorei de cólica no fim do mês e rezei um pouco mais. Cheguei a conclusão de que é melhor dizer só sim ou não, ao invés de perder tempo com justificativas e explicações. Percebi também porque os filhos saem de casa cada vez mais tarde.Vejo o quão entediante é ter que andar cheia de parafernalha barulhenta, pra garantir a segurança que me devem. Notei que preciso, urgentemente, de um momento para olhar para a mulher que existe em mim, pois não sou somente a filha, a professora, a prima. Atentei que delicadeza pode ser um escudo, mas, vez ou outra é preciso simplesmente atacar. Quero fazer minha estória, quero não depender da opinião alheia. Quero não ter vergonha de dizer que não cozinho bem. Quero não me esquecer das pessoas, mas não quero esquecer de mim para lembrá-las. Quero controlar a respiração, descontrolar os sentidos e me permitir.

