topbella

03/12/2008

Transparência

Há pessoas que sempre farão parte de nossas vidas, quer queiramos ou não.
Que apesar de sermos agradáveis e educados , fazem questão de mostrar indiferença.
Talvez essas pessoas carreguem consigo inquietações não esclarecidas, perdas e problemas diversos, mas que não são de nossa responsabilidade.
Talvez elas já sejam idosas e mereçam nossa compreensão, apesar de sempre achar que a educação independe de idade.
Sabe... uma hora a gente cansa...
Por muito tempo achei que ser gentil era sinônimo de ser boba.
Hoje percebo que já não tenho medo de cara feia, porque sei fazer cara feia também.
Apesar dos transtornos que tive nessa semana fiquei orgulhosa de mim, por estar apta a responder, a mostrar indignação, a não me calar, a de sair sem disfarçar o descontentamento.
Afinal não vou trair meus sentimentos para agradar quem quer que seja.
Porque, se assim fizer, nunca conquistarei o respeito que julgo merecer.
É tão bom quando conquistamos o respeito de alguém! Por sermos dignos, por sermos queridos ou por sermos humanos simplesmente...
Mas quando todas as tentativas não vingam, o melhor é impô-lo mesmo!
É uma questão de amor-próprio...

22/11/2008

Insana

Não preciso de educação sentimental
Preciso é 'dissentimentalizar'
Ser mais racional
radical
é tudo muito surreal...
superficial
banal
e tal...
acho que prefiro viver a flor da pele
carnal
real
legal
total..

19/11/2008

...

Algo ressecado, intacto,
não- espontâneo
Sou assim
Rígida e cheia de folhas
...Taí, devo ser um galho...

03/11/2008

Parede

Fale, grite e esperneie
Mas não ignore
Não desligue e deixe pra amanhã
Amanhã a amargura do hoje cicatriza
Amanhã pode ser tarde
Ontem lamentei
o deixar para semana que vem
Hoje lamento o ouvido indiferente
Amanhã...
Amanhã a apatia me contamina
Talvez ...
Quem Sabe...
Vou ver...
Depois te falo...
Qual é o problema do SIM e do NÃO?
Qual é o problema em cumprir aquilo que se diz?
Seriam as minhas esperanças alimentadas em vazios?
no vácuo?
em fogo morno?
em galhos secos?
Talvez...
Quem sabe...
Vou ver...
Depois te falo...

23/10/2008

James Blunt inspires me

If you dream of me
like I dream of you
In a place that's warm and dark
In a place where I
can feel the beating of your heart
Remembering
Your touch
Your kiss
Your warm embrace
I'll find my way back to you
If you'll be waiting
I've longed for you and
I have desired
To see your face your smile
To be with you wherever you are...

...Together again
It would feel so good to be
In your arms
Where all my journeys end
If you can make a promise
If it's one that you can keep,
I vow to come for you
If you wait for me
and say you'll hold
A place for me in your heart

(The promise - James Blunt)

22/10/2008

Tédio

estou paralisada
não quero fazer nada
Tenho uma monografia pra fazer
e não me concentro
Chatice...

23/09/2008

Hora da receita

Todo mundo conhece uma Ju, certo? Essa daqui, a inventora da torta, eu não conheço. Uma amiga da pós me passou essa receita que é feita com bastante chocolate. Nem precisa dizer que assim que tive a oportunidade, fui tentar fazer. Foi nesse Domingo e ficou muito gostosa! O melhor de tudo é que é fácil, sem mistério. Porque, sem brincadeira, adoro mistérios, mas não na cozinha. Definitivamente, NÃO NA COZINHA! O nome da receita poderia ser: Delícia gelada de chocolate, pavê de chocolate, torta crocante de chocolate, mas confesso que gostei de Torta da Ju. Muito simpático. Confira a receita:

TORTA DA JU

Ingredientes:

1 lata de leite condensado;
2 caixas de creme de leite;
2 barras de chocolate meio amargo (180g cada);
1 pacote e meio de biscoito maizena (vermelho);
achocolatado a gosto;

Modo de fazer:

- misture o leite condensado, o biscoito picado e o achocolatado, fazendo uma mistura;

- derreta uma barra de chocolate e misture a caixa de creme de leite;
- em uma forma, coloque a mistura de cremedeleite e chocolate e, porcima, coloque a massa do biscoito picado;
- derreta a outra barra na outra caixa de creme de leite e coloquepor cima como calda;
- coloque na geladeira por duas horas.

obs: Se quiser incrementar, faça como eu: esfarele alguns 'BIS' por cima para enfeitar.

Valeu Rê, pela receita.

16/09/2008

Transição



Sinto algo estranho no ar. Sempre achei isso meio clichê e, particularmente, nunca gostei dessa estória de dizer que amadureci, porque sempre achei maturidade algo muito relativo e, nem sempre, sinônimo de progresso. Enfim, são frases soltas que a gente ouve e que mudam nossas perspectivas, pequenos gestos que são feitos ou deixados de fazer. Estou esquisita. De repente fiquei mais regular, não chorei de cólica no fim do mês e rezei um pouco mais. Cheguei a conclusão de que é melhor dizer só sim ou não, ao invés de perder tempo com justificativas e explicações. Percebi também porque os filhos saem de casa cada vez mais tarde.Vejo o quão entediante é ter que andar cheia de parafernalha barulhenta, pra garantir a segurança que me devem. Notei que preciso, urgentemente, de um momento para olhar para a mulher que existe em mim, pois não sou somente a filha, a professora, a prima. Atentei que delicadeza pode ser um escudo, mas, vez ou outra é preciso simplesmente atacar. Quero fazer minha estória, quero não depender da opinião alheia. Quero não ter vergonha de dizer que não cozinho bem. Quero não me esquecer das pessoas, mas não quero esquecer de mim para lembrá-las. Quero controlar a respiração, descontrolar os sentidos e me permitir.

04/09/2008

Confusão de pontos

Sou o ponto em comum de um casal
Sou o ponto final em meu relacionamento
Sou o ponto chave dos favores
Sou o ponto em que é só ligar e pronto!
Sou o ponto de encontro dos amigos
Sou um pontinho em meio a tanta coisa
Sou um ponto de exclamação
nos olhos de quem não me enxerga
Sou conflito entre dois pontos:
o ponto daquilo que sou
o ponto daquilo que não quero ser
Chego ao ponto de não compreender
a que ponto cheguei
Há momentos em que quero ir direto ao ponto final
Há momentos em que quero erradicar os pontos
e há aqueles em que a soma dos pontos formam
mais do que uma simples reticência ...
uma verdadeira interrogação

08/08/2008

Cansaço

Estou consumida pela burocracia que me repele
Já não quero prestar conta de todas as coisas
Horas marcadas
Noites acordadas
Projetos sem nexo, enrolação
Não quero ouvir dizer que 'não há tempo'
Para o lado bom da vida
Quero palavras fáceis
Quero o quadro e o giz
Cansei de frases que querem dizer muitas coisas
Cansei de consideração, pena e conveniência
Quero o espontâneo e o desinteressado
Já não quero promessas
Quero simplesmente acreditar
com o olhar de quem olha
e não com a boca de quem fala
Estou consumida pela burocracia que me repele
Já não quero mais prestar conta de todas as coisas
Horas marcadas
Noites acordadas
Medo do escuro
Solidão...

28/07/2008

Liderança

"Natalie Gilbert, ganhou um prêmio e foi cantar o Star Spangled Banner, hino dos EUA, no jogo a NBA. Vinte mil pessoas no estádio, ela afinadinha. De repente... o braço tremeu, ela engasgou, esqueceu a letra... deu branco!!!

Treze anos. Sozinha, ali no meio...

O público estupefado ameaça uma vaia. De repente, Mo Edward Cheeks, técnico dos Portland Trail Blazers, aparece ao seu lado e começa a cantar, incentivando-a, e trazendo o público junto.

Bonita cena e - o que é mais incrível - ... só o técnico tomou a iniciativa de ir até lá para ajudar, enquanto os demais à volta dela só observavam estupefatos... Mostra como uma atitude de liderança e solidariedade, na hora certa, pode fazer uma grande diferença, para ajudarmos um ser humano e mudar a história do 'jogo da vida'. Será que isso já não aconteceu em nossas vidas? E a nossa atitude foi a do técnico Mo Cheeks ou da de todos que estavam ao redor, comum e de descaso?"

(Autoria do texto desconhecida)

Recebi esse email de minha amiga Raquel, da faculdade, e achei muito interessante. Muitas pessoas sabem ser solidárias, enquanto outras são implacáveis, principalmente se for para vaiar ou julgar as outras. Pensemos nisso!

video

23/07/2008

Férias

Nada melhor do que férias. É um ócio criativo. Dormir à tarde e encurujar à noite. Tocar violão, fazer ginástica sem se preocupar com o horário, arrumar e bagunçar o guarda roupa todo o dia, procrastinar momentos tediosos, rever amigos, namorar mais, ficar mais tempo com a mãe e levá-la pra baixo e pra cima (literalmente). Ir na rua, procurar chás, mercado fora de hora, ir no shopping só pra 'olhar', banhos demorados, risadas (muitas risadas), organizar o PC, baixar aquelas músicas, fazer receitas, estudar sábado (dessa eu não me livrei...). Ver sessão da tarde (isso é só pra quem pode), rezar um pouco mais, ir na casa dos primos e tios e etc, organizar churrasco com os amigos, participar da Feirinha do Bairro. Amo muito tudo isso...

16/07/2008

(In the Land of Women) Eu e as mulheres


Fui à locadora em busca de uma comédia romântica pra relaxar no domingo e achei um cartaz enorme com um filme estrelado por Adam Brody (que eu adoro!!). Nem pensei duas vezes e peguei. Quanto vi o título "Eu e as mulheres" achei que pudesse ser um besteirol, mas confesso que me surpreendi. Há pessoas que alugam filmes pela sinopse, outros pela capa, outros pelo tipo de filme. Confesso que, se gosto do ator ou da atriz, esqueço qualquer outra exigência. Vamos ao que interessa: Trata-se de um jovem escritor que, entristecido pelo fim de seu relacionamento com uma atriz em ascensão, resolve sair da badalação de LA para passar uns tempos com sua avó no subúrbio e se concentrar em seu trabalho (ele escrevia filmes pornôs). Sua avó, já com idade avançada e convicta de sua morte, necessitava de cuidados básicos e um pouco de companhia. Ao chegar lá, além da experiência de cuidar de uma senhora excêntrica e cheia de manias, o jovem conhece uma jovem mãe de família (Sarah) e suas duas filhas. Ao se aproximar dos conflitos interiores sofridos por diferentes gerações de mulheres, ele consegue se transformar, enquanto transforma a vida dessas pessoas também.
Uma das coisas que mais gostei no filme é o fato dele não ter fim. Achei isso o máximo porque confere um ar mais condizente com a realidade. Também adorei a simplicidade do diálogo e a sutileza da mensagem do filme, nada muito moralista, mas marcante. Pessoalmente refleti como podemos transformar a vida uns dos outros através de uma conversa ou uma pequena gentileza. Se deixarmos de estar abertos a sair da superfície, as pessoas passarão por nossas vidas despercebidas. Acima de tudo acredito que o diretor teve muita sensibilidade, pois é diante de um problema realmente grave que paramos para questionar tudo o que fazemos e o que somos, para ser igual, ser diferente ou indiferente...

13/07/2008

Pretérito dos quereres

Já quis ser a mais bela das belas
Já quis que parasse de olhar pra mim;
Já quis ter asas que me levassem além
Já quis morar debaixo da terra úmida;
Já quis encontrar esconderijos secretos
que amigos imaginários existissem
Já quis ser o 'ouvido' das paredes!
Também quis ser surda...

Já quis nunca envelhecer
Já quis ter netos
só pra mostrar meu filme predileto
Já quis que a chuva acabasse
Já quis noites geladas em dias ensolarados
Já quis ser a vilã, e consegui
Já fui vilã sem querer
Já quis ser o passarinho verde
E acabei como o cupido entediado ...

Já quis ser bipolar
Já quis que ninguém me levasse a sério
Mas já quis que me dessem crédito
e já quis falar ‘verdades’ ...
Já quis mentir e não consegui
ao menos pra mim mesma

Também já quis um milhão de amigos
Já quis apenas um em dias de choro
Já confiei sem poder confiar
e desconfiei quando devia
Já quis abraçar e abracei

Quisera eu saber o que ainda quero
Quisera eu adivinhar
o que meus quereres fizeram de mim
Contento-me hoje em saber bem o que não quero
Minha sorte é saber, enfim,
que não te quero longe de mim...

07/07/2008

News

Estou contente. Ganhei um violão novo, com caixa acústica e microfone. Foi uma surpresa do meu pai. Fora de época e tudo mais. O chato é que fico louca pra ter um tempinho pra me dedicar. Já esqueci como se toca... Perdi a pouca prática que tinha. Ah, o importante é se divertir né? Como a caixa acústica veio com fone eu não atrapalho ninguém!

23/06/2008

Balanço dos 21 anos

Bom, hoje é o último dia que posso dizer que tenho 21 anos (até posso dizer em qualquer época, mas não será verdade). Portanto, vou tentar fazer um balanço do ano. Engraçado porque nesse acredito que não mudei muito, quase nada. Algumas considerações:

- Agora gosto mais de fazer exercícios, acho que a mudança de ambiente foi positiva;
- Aprimorei meus hábitos de leitura e passei a refletir um pouco mais, me descobrir e essas coisas que a leitura proporciona (catarse das emoções mais subjetivas);
- Criei este blog e estou adorando escrever e fico contente pelo incentivo das pessoas que visitam e, desde já, agradeço.
- Me sinto mais segura enquanto professora e gosto da modalidade em que trabalho, mesmo sabendo que tenho pouca experiência;
- Às vezes é preciso admitir fraquezas, não adianta: tenho TPM, transpiro nas mãos e sou preguiçosa;
- Ligo menos para o que os outros falam, não vou dizer que ainda não dou a mínima, mas uma vez ouvi a frase: "O que pensam de mim não é problema meu" e acho que a cada dia tomo mais consciência disso;
- Vejo o quanto minha família me considera: tios, primos e amigos que são parte dela também e acho isso tudo muito bonito;
- Luto com 'fantasmas'. Às vezes acho que a gravidade está contra mim, que existe uma conspiração querendo me 'testar' que o sistema é insano... E fico com medo! Muito medo...
- Caminho 'no passinho do bonequinho' (brincadeirinha). As coisas poderiam acontecer mais rápido, ainda piro com isso, mas acho que no processo também sou feliz;
- Sou cada vez mais introspectiva e calada, não sei se é porque não há o que dizer, ou o silêncio me conforta. Não é porque não gosto de falar, mas acontece muito.
- Sei que sei ser grossa também. Nesse último ano discuti com pessoas e elas ficaram sem fala, mas sinto que falei a verdade, só que depois de muito tempo. Essa coisa de deixar pra depois não dá certo. Não mesmo.
- Quero me casar, mas esse é só mais um detalhe. E que detalhe! Sou muito reservada. Acho tão difícil falar de coisas que envolvem sentimento. Em suma, achei que não ficaria nervosa e cheia de coisas na cabeça igual os 'quase-casados' ficam. Não tem jeito, todos os dias me pergunto se serei boa o bastante como uma esposa. A única coisa que sei é que me esforçarei o quanto for preciso.
- Descobri que quero fazer muita coisa, que entrei na faculdade muito cedo e que gostaria de ter outra profissão. Detalhe: ainda não sei qual.
- Ganhei olheiras.
- Juntar dinheiro é muito chato, mas necessário. Pedir para os pais é o 'final'. Fico feliz em dar menos despesa e poder fazer agradinhos, ainda que raros...

Essas são algumas das coisas que consigo perceber com mais clareza. Algumas outras permanecem obscuras. Enfim, é bom pensar que não sou uma estranha morando dentro de mim, apenas um tanto imprevisível, o suficiente para aguçar minha auto-curiosidade. Talvez amanhã eu não seja mais assim. Talvez amanhã seja do mesmo jeito. Só vivendo pra saber...

16/06/2008

Aos 90 publico...talvez

Não sei porque tanta sensibilidade
ou porque as respostas confundem a mente
Sei que voltei a ser criança dependente
enquanto tentava ser mulher de verdade.

12/06/2008

Coisas que eu gosto

Gosto de músicas suaves
de redes e agasalhos
e de procurar a Lua todos os dias no céu
Gosto do cheiro de cafeína pela manhã
de meias grossas
Gosto de TV de madrugada
das risadas de minha mãe
e de voltar pra casa
Gosto de comédias românticas
e de assistir filmes repetidos
Eu gosto é de coreografias
de pinturas florais
de super- heróis
Gosto de analisar contra-capas
de borboletas coloridas
e pipocas meladas
de vestidos soltos
Gosto de valsas espontâneas
de brisa e de velas
e de fotografias em preto e branco
Gosto de rostos corados
e banhos quentes
Gosto de exagerar no sorvete
de gentilezas desinteressadas
de achados inesperados
Gosto de mudar as coisas de lugar
de ditos populares
das tatuagens de biscoito
Gosto de carregar lanternas
de cheirinhos no carro
e bolas de sabão
Gosto quando sei que vai chegar
Gosto quando chega
Gosto de dizer olá
de olhar e compreender
e de piscar os olhos...

27/05/2008

Calando os ouvidos

Quem tem ouvidos para ouvir ouça:
Será mesmo necessário ouvir tanta barbárie?
Ouço reclamações, cinismos e ironias
Ou frases de autobajulação
Tanta caretice, tanta covardia
O pior é não poder responder
Não poder gritar
Não poder evitar

Dentre os cinco sentidos
E as infinitas sensações
Gostaria de ter o dom do bloqueio temporário
Não para não sentir o gosto de comer o que não gosto
Não para não enxergar algo terrível
Não para não sentir a dor de um bofetão
Mas para bloquear meus ouvidos
De ouvir acusações e lamúrias infundadas
Para não sentir um gosto amargo em minha boca
Para não tremer a visão
Para não me arranhar de raiva...

No fundo as palavras caem melhor
Nas canções dos compositores
Na sabedoria dos escritores
Na voz das criancinhas
Nos humildes de coração...

23/05/2008

Atípica

Às vezes paro de caminhar
para ver se você me alcança
mas enxergo tudo tão longe...
daí começo a correr novamente
tentando resistir e não virar a cabeça

Mas ainda quero te proteger
misturadas às fadas celestiais
há serpentes invisíveis no caminho
Mas onde está a sua fome?
O meu esforço me deixou faminta
me deixou fraca
me decepcionou...

07/05/2008

Entre perguntas e exclamações


Não sei se é mania de perseguição, mas acho que leio nas entrelinhas. Acho que é por causa das aulas de Pragmática e Análise do Discurso. Às vezes tudo o que preciso é de um elogio
ou um reconhecimento. Às vezes até o silêncio é melhor do que ouvir certas coisas. Por que as pessoas preferem as perguntas às exclamações? Por que o eufemismo irônico que intimida e diminui?

Recentemente me perguntaram: "O que mais fazes além disso?" ao invés de:"Poxa,você conseguiu, legal!". Ou ao invés do ... silêncio...

Enfim, um balde de água fria nas idéias, na motivação para que as coisas aconteçam, para que as coisas dêem certo.

Essa gente realmente contamina e te faz quase considerar o caminho da indiferença como a melhor saída. Às vezes penso que a humanidade não progride, por causa de pessoas que, além de não se empenharem, tolhem a vontade do outro, desdenham o que os outros fazem com esmero. Dissimulam opiniões com perguntas que só querem diminuir seus feitos. Mas não vou me contaminar pelo Veneno que tanto me indigna e magoa. Até porque não há nada como a consciência tranquila de buscar o melhor possível, dentro do possível.

12/04/2008

Sobre minhas mãos






Pequenas, com dedos magros e compridos. Brincadeira, não se trata disso! Mas por que alguém escreve sobre as mãos? Dê uma olhadinha:

Tenho um probleminha com minhas mãos. Digamos que é um problema que se manifesta em mim como a asma se manifesta nas pessoas de modo geral (só que sem a mesma gravidade). Transpiro nas mãos quando passo por fazes mais difíceis ou de mudança. Mas, até essa semana, nunca havia me lembrado quando começou.
Voltou a acontecer na Igreja, na hora de dar as mãos às pessoas e rezar o Pai- Nosso. Estava no altar porque sou ministra da Eucaristia, (um dia conto com mais detalhes), e dei a mão à Líder do Grupo de Jovens (que não existe mais). Minhas mãos estavam limpas, pois todos lavamos as mãos antes da comunhão.Mas, transpiravam, e a líder não hesitou em se sentir enojada, ajudando minhas inconvenientes mãozinhas a transpirarem ainda mais. Estava mal naquela manhã, pois há um bom tempo isso não acontecia.
A última crise constante aconteceu quando tirei minha carteira de motorista, há quase três anos. Agora minhas mãos transpiram quando vou dar aula, quando dirijo, quando faço coisas mega triviais. Já fiz tratamentos diversos, mas nada adiantou de fato. Parece bobagem, mas a sensação é de ter acabado de lavar a as mãos sem a menos secá-las. Será nojento como a Líder pensou?
Agora, o curioso é que, quando estava voltando pra casa ontem, lembrei-me da primeira vez que isso aconteceu em minha vida. Como pode? Nunca havia conseguido. Por coincidência foi na igreja também...
Tinha 4 anos e sentava lá na frente com outras crianças. Meus pais sempre me levaram à Igreja desde pequena, como forma de dar o exemplo, essas coisas que os pais se preocupam. Acho a religiosidade importante e penso que farei parecido com meus filhos, um dia. Claro que fé sem vivência nos torna ‘misseiros’ e não há dúvida nenhuma de que os filhos cobram isso de seus pais, sobretudo quando crescidinhos. Mas voltando ao assunto, uma prima minha, ficou falando que eu tinha que pegar o microfone da senhora do cântico e mandar um recado em agradecimento pela família. Eu, bobinha, mesmo com toda vergonha, achei que era pra fazer isso mesmo. De repente, no fim da missa eu fiz exatamente isso. Num surto corajoso, peguei o microfone no meio da música e comecei a falar quase gritando: “Senhor, agradecemos a nossa família!” e gritei o meu nome bem alto: “LLLLLÍIIIIVVVVVVVIIIIIAAAAAAA”! (nessa idade a gente não faz idéia de que não é necessário berrar no microfone).
Aquilo me rendeu um sermão surreal, daqueles de padre alterado, até a minha casa, como se eu tivesse cometido ‘o pecado dos pecados’. Meus pais sempre se preocuparam com ‘os outros’. Minhas mãos transpiraram naquele dia, assim que percebi que não era pra eu fazer aquilo. Hoje tenho certeza de alguém da diocese, naquele dia, deve ter achado bonitinho. É a espontaneidade das crianças, afinal estava agradecendo a família, não estava xingando. Não ousaria fazer nem uma coisa nem outra atualmente...
Não sei como me lembrei disso, mas quando minhas mãos transpiram, sinto como se não dominasse as situações. Como se eu estivesse sendo visada ou avaliada, ou até mesmo quando fico ansiosa. É o momento que sei que perdi o equilíbrio de minhas emoções e sentimentos. Daí, tento me lembrar de que todo mundo busca o equilíbrio, mas a vida é feita de provações, das mais variadas, e as dificuldades são demonstradas das mais diversas formas. Algumas pessoas mostram no semblante, nas atitudes, nas palavras (por vezes pesadas). Eu mostro em minhas mãos... Quando as pessoas olham pra mim, dificilmente conseguem perceber se estou bem ou não. Acho que fui perdendo essa espontaneidade... São poucas as pessoas que pegam nas mãos das outras. Exige esforço, exige cumplicidade...
Mas, acho que posso até ter orgulho disso, porque é o que não me torna apática, invencível, alheia as coisas externas. Afinal, uma hora elas secam... E quando elas secam normalmente eu passei na prova de motorista, na monografia, no seminário, ou os alunos fazem aquela carinha de: “Professora, a senhora já vai?”. Uma superação momentânea.... Como a vida deve ser...

07/04/2008

Os sofrimentos do jovem Werther


Ando meio sem tempo para atualizar o blog, mas tenho bastante novidades. As aulas da pós voltaram a ser 'aquelas'. Não perco um segundo da aula. Antes sempre ia ao banheiro regularmente, bebia água e batia longos papos com minha divertida amiga Grazi. Agora tenho um módulo de Lingüística com um professor genial! E agradeço ao bom Deus começar a compreender Saussure e Chomsky. O mais legal é que ele entende de tudo... muito! E adoro pessoas que entendem de várias ciências sem perder o senso de h2 (humor e humildade). Parabéns Sandro!


A história é que ele citou um romance alemão em uma aula chamado 'Os sofrimentos do jovem Werther' (como indica o título do post), traduzido como 'Werther' aqui no Brasil. Não me interessaria tanto se ele não dissesse que a obra marca o início do Romantismo e que vários jovens do século XVIII cometeram suicídio após a leitura da obra de Goethe.

Peguei o livro que, por um milagre, estava disponível na Biblioteca e o consumi naquela madrugada de sábado.Apesar de achar que Angelo Stefanovits deixou muita coisa 'de fora' em sua adaptação, fiquei satisfeita, afinal, não sei absolutamente nada em alemão e foi a primeira vez que lamentei isso.

O livro conta a história um jovem que muda para o campo e se apaixona por uma dama chamada Charlotte e retrata essa paixão não correspondida nas cartas que costumava mandar regularmente a seu melhor amigo Wilhelm. O narrador da história tece alguns comentários e mostra as cartas em ordem cronológica, de forma que o leitor pode compreender todo o enredo. O amor do personagem Werther não é correspondido por causa de uma terceira pessoa, Albert. O noivo de Charlotte.

O que mais gostei na obra, pessoalmente, foi a expiação de meus sentimentos com os dos personagens. Me senti Charlotte, Albert, Werther e o próprio amigo que recebe as cartas, tudo ao mesmo tempo.

Sou Charlotte quando assumo muitas responsabilidades, pelo sentimento maternal e por me confundir tanto em meus sentimentos. Sou Albert, um pouco distante e com dificuldades de expressar minhas emoções. Sou Werther porque tenho meus questionamentos e adoro refletir sobre as coisas, mesmo que não chegue às conclusões do senso comum. Sou o amigo que recebe cartas porque ouço muitas lamúrias, mas tenho dificuldade em conseguir convencer as pessoas a enxergar 'o outro lado'.

Enfim, as obras literárias revelam mais de nós mesmos do que supomos imaginar. E, falando nisso, ela trata de muitos aspectos que se tornaram realmente típicos à escrita romântica: adoração à natureza, oposição ao rigor classicista, morte por amor, idealismo utópico entre outras características do movimento. Alguns trechos traduzidos por Stefanovits:

"Pois você me conhece bem: já me viu transitar da prudência à temeridade, e da doce melancolia à paixão desmedida. Não é para menos, pois trato meu coração como se fosse uma criança doente, concedendo-lhe a satisfação de todos os seus caprichos.

"Convenci-me de que os mal-entendidos e a preguiça causam mais confusões no mundo do que a esperteza e a maldade. Estas últimas são com certeza mais raras".
"Os habitantes daqui são normais. Desgastam-se na maior parte do tempo para sobreviver e angustiam-se tanto nas horas de lazer que procuram reduzi-las ao mínimo."

20/02/2008

Descontrole


A você só peço uma coisinha:
Que desacelere!
Fique calminho aí,
manso e sereno!

Não me pregue uma peça,
Não me dê tanto trabalho,
Pois não vai responder por mim...

Desacelere coração!
Não seja tão arredio,
ande na linha!
pra eu não escorregar,
pra eu não bater a cabeça
e não poder mais te guiar.

Ah, coraçãozinho torto!
Desacelere e fique morno
senão acho que eu morro
De amor, de dor ou de ambos...

15/02/2008

Uma mulher 2.0

Não me lembro de quando ouvi falar nisso, mas fui decifrada em uma única frase: 'Mulheres de 20 anos são tudo de bom, mas são umas chatas!'.
E como é fácil admitir isso hoje. A gente complica tudo, é insegura, desgasta relacionamentos, muda de humor a todo o tempo e faz de um mísero problema uma novela mexicana, coisas que mulheres maduras dificilmente fazem. Por mais que a juventude seja bacana é o tempo em que a gente 'pensa' demais e pensa errado.
Queria ser mais certeira, despojada, assanhada e destemida, rir de tudo e de nada, debochar, gritar bem alto, sem medo da desaprovação, do furdunço e do pecado.
Mas sou bicho do mato... e acabo falando só quando tenho muita certeza e, como sou cheia de incertezas, quase nem falo... Só penso, reflito, pondero e viajo ...
E nessa tortura emocional acabo 'dando nó cego em minha mente', pedindo desculpa sem precisar, deixando de dizer 'verdades', me escondendo o máximo que posso e não permitindo que ninguém ultrapasse a linha, a linha que criei e que sustento.
E, por fim, ainda tento generalizar, na esperança egocêntrica de que possa existir mais uma significativa amostra de mulheres que se sintam da mesma forma: desconstruindo 'contos de fadas' todos os dias.

12/02/2008

De repente ... não mais que de repente (fim de férias)

Parecia que o mundo só ia voltar a funcionar em março. Que nada garota! A hora do batente está de volta. E eu que pensei que ainda fosse poder ir à formatura das minhas amigas. Estou sentindo que até o fim da semana estarei em sala e não poderei ir.
Todo início do ano é a mesma coisa. Fico ansiosa, nervosa e apreensiva ... são muitas escolhas. Não do tipo: “Que roupa usar?”, “Vou ao mercado ou fico em casa?”, mas coisas sérias e que fazem toda a diferença. Às vezes gostaria que o cara lá de cima me mandasse sinais a respeito do melhor caminho a seguir ... o pior é que acho que ele realmente manda, eu é que não tenho o tipo de sensibilidade certa pra perceber...Como diria a adorável Alice “Quando não sabemos para onde ir, qualquer caminho serve”
Acabei na mesma Escola em que trabalhei no ano anterior, no mesmo local que antes de ser Escola era um necrotério. Ou seja, um lugar que põe terror! Brincadeira ... Mas com gente bacana, muito bacana mesmo! Alguns acham que sou louca por não escolher aquelas ‘gracinhas’ de aborrecentes para encarar, outros que tinha que pegar logo dupla regência e fazer jus à célebre massa com lema similar ao dos poetas, 'parassassinando' Fernando Pessoa:

“Professor é um sofredor.
Sofre que já nem sente
Que é sofrimento, aquilo que sente"...

Ainda não sei como vai ser e confesso que, caso possível, farei parte da comunidade. E sem reclamações, pois muitos gostariam de estar no meu lugar. Quem sabe em meio a pancadas de chuvas às 22h, pontos, diários e ‘do-contra-cheques’ eu continue a colher flores?

30/01/2008

De repente Shakespeare...

Recebi um email com um texto de Shakeaspeare e achei tão lindo, como todos os que já li, que resolvi postar aqui. Não sei se é o texto integral, ou parte dele. Se alguém souber, me avise, por favor.

Eu aprendi……que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo;
Eu aprendi……que ser gentil é mais importante do que estar certo;
Eu aprendi……que nunca se deve negar um presente a uma criança;
Eu aprendi……que eu sempre posso fazer uma prece por alguém quando não tenho a força para ajudá-lo de alguma outra forma;
Eu aprendi……que não importa quanta seriedade a vida exija de você, cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir junto;
Eu aprendi……que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender;
Eu aprendi……que os passeios simples com meu pai em volta do quarteirão nas noites de verão quando eu era criança fizeram maravilhas para mim quando me tornei adulto;
Eu aprendi……que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos;
Eu aprendi……que dinheiro não compra “classe”;
Eu aprendi……que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular;
Eu aprendi……que debaixo da “casca grossa” existe uma pessoa que deseja ser apreciada, compreendida e amada;
Eu aprendi……que Deus não fez tudo num só dia; o que me faz pensar que eu possa?
Eu aprendi……que ignorar os fatos não os altera;
Eu aprendi……que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;
Eu aprendi……que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;
Eu aprendi……que a maneira mais fácil para eu crescer como pessoa é me cercar de gente mais inteligente do que eu;
Eu aprendi……que cada pessoa que a gente conhece deve ser saudada com um sorriso;
Eu aprendi……que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;
Eu aprendi……que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;
Eu aprendi……que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.
Eu aprendi……que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;
Eu aprendi……que devemos sempre ter palavras doces e gentis pois amanhã talvez tenhamos que engoli-las;
Eu aprendi……que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar sua aparência;
Eu aprendi……que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
Eu aprendi……que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;
Eu aprendi……que só se deve dar conselho em duas ocasiões: quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte;
Eu aprendi……que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.”

Olha, eu na verdade me esforço para aprender um pouco com Shakespeare , mas se eu aprendesse tudo isso, logo eu seria ... DIFERENTE.... O que quero dizer é que ele é ELE porque aprendeu tudo isso na vida! E uma pessoa que aprende TUDO ISSO, de verdade, merece ser lembrada para todo o sempre. Nós (eu e os demais mortais), aprendemos e aprenderemos algumas coisas apenas ... eu acho... Lembrando que aprender não é concordar. Veja bem, eu concordo com tudo o que ele escreveu, tudinho mesmo! Será que é por isso que acham que ele não existe? Porque escreve coisas assim... tão magníficas?

27/01/2008

Rotina do sono

No silêncio mais que absoluto
As luzes se apagam

E mesmo sem medo do escuro
Acendo meu abajur
E abro aquele livro
Aquele que aluguei no momento
Até 'aquele momento'
Que a inquietação substitui
minha concentração.

Uso um par de meias
Às vezes mais de um par
E quando pernelongos começam a incomodar
Ligo o ventilador...
Mas, então
sinto muito muito frio...
E pego o edredom em pleno verão...

E rolo de um lado para o outro
Com muitos travesseiros
E penso tantas coisas...
Às vezes também choro
E descubro coisas sobre mim

que jamais seria capaz
sob a luz do sol...

E quando acordo
Tenho, por vezes,
mãos e pernas dormentes
e o estômago embrulhado
e só melhoro
na metade do dia...

21/01/2008

Little Miss Sunshine


Esse eu realmente adorei! Há muito não assistia um filme que me agradasse tanto! (acho que deve ser por causa da pirataria, não estão comprando mais filmes legais para locação). Mas esse foi D+. ‘Pequena Miss Sunshine’ é uma tragicomédia de uma família tipicamente atípica, se é que posso assim classificá-la. Atípica de ser mostrada nas telonas e típica porque retrata um pouco do que são realmente as famílias hoje em dia. A trama retrata um pai de família que adotou a ‘Filosofia do Sucesso’, fixando-se freneticamente em seus ‘nove passos’ para tornar uma pessoa vencedora, na tentativa de publicar um livro e salvar a família da falência. Ele mora com seu pai, um senhor viciado em cocaína que só pensa em mulher, seu filho ‘aborrecente’ que faz um voto permanente de silêncio a fim de conseguir entrar na Força Aérea; seu cunhado que vai passar um tempo em sua casa pois não pode ficar sozinho (uma vez que tentou cometer suicídio por ter se apaixonado por um de seus alunos e não ser correspondido, além de perder um prêmio importante para sua carreira); sua caçula Olive que sonha em ser uma miss, mas está fora dos ‘padrões’ da beleza, mesmo com toda a graciosidade e espontaneidade infantil; e sua esposa, a mais ‘normal’ de todas, que tenta colocar ordem na casa. Viu? Totalmente às avessas das famílias dos comerciais de Margarina que a gente vê por aí. Eles resolvem embarcar em uma Kombi velha para levar Olive ao Concurso ‘Pequena Miss Sunshine’ e, entre muitas decepções e fracassos, eles vão se descobrindo e se vêem obrigados a se unirem por diversas causas, desde os problemas com ocarro, até o sonho da pequena menina de concorrer ao prêmio de Miss. Eles ganham algo muito mais precioso do que seus objetivos poderiam proporcionar. No fundo, além de hilário, o filme é uma crítica aos ideais ilusionários de família e as pressões pela busca do sucesso acima de qualquer coisa, que a gente observa em todo o lugar atualmente.

"O verdadeiro perdedor não é aquele que não vence, é alguém com tanto medo de perder que nem sequer tenta"

04/01/2008

A menina que roubava livros



(por Markus Zusak)

Recentemente, li um livro que me deixou encantada. Já tinha ouvido falar nele e quem me emprestou foi minha prima. Demorei pra ler, sempre demoro... Minha leitura, de modo geral, passa por três fases:

Fase 1- de conhecer e me acostumar com a estória (muito demorada);

Fase 2 – a de me envolver completamente com o livro (levar o livro pra tudo quanto é lugar e em qualquer tempo livre começar a ler, ficar irritada quando alguém me chama e etc.);
Fase 3- normalmente a fase das últimas 70 ou 100 páginas que começo a não querer que o livro acabe (aí começo a lerdar com ele);

O livro fala da infância de Liesel e o relacionamento entre ela e seus pais adotivos na Rua Himmel, uma rua humilde da cidade de Molching, Alemanha. A história ocorreu entre 1939 e 1943 ( em meio ao período entre guerras em que a Alemanha estava dominada por Hitler). Entre outras artimanhas infantis com seu amigo Rudy a menina cria o hábito de roubar livros, como sugere o título. Ela tem um completo fascínio pelas palavras e a forma com que ela lida com elas é muitíssimo interessante!
O melhor de tudo é a narração da história: A Morte (aquela que ainda chegará para todos nós) é quem narra e tece comentários durante todo o livro: por vezes hilários, por vezes sombrios, por vezes tristes, mas sempre falando sobre os seres humanos de modo geral e sobre sua relação com eles, em paralelo à história da menina. É incrível!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Chorei, dei risada e confesso que se a morte for como Markus Zusak apresenta, espero que, quando eu morrer, o céu esteja laranja, naquele pôr- do- sol de verão lindo .... de 18:00h... Mas me conformo com um arco- íris no céu ... ou um céu de chocolate... E sinceramente espero, espero de verdade ser leve como uma pena...

A parte que mais gostei foi o conto: 'A semeadora de palavras' que Max (o judeu – e é claro que tinha que ter um judeu no enredo) escreveu para Liesel ler quando estivesse 'crescidinha'. Também amei aprender a xingar em alemão e os comentários da Morte durante todo o livro. Vale a pena conferir.

UMA VERDADEZINHA (pág 27)

Eu não carrego gadanha nem foice.
Só uso um manto preto e um capuz quando faz frio.
E não tenho aquelas feições de caveira que vocês gostam de me atribuir à distância.
Quer saber a minha verdadeira aparência?
Eu ajudo. Procure um espelho enquanto eu continuo.


UMA OBSERVAÇÃO PEQUENA PORÉM DIGNA DE NOTA (pág 158)

Ao longo dos anos,
Vi inúmeros rapazes que pensam
Estar correndo para outros rapazes
Não estão.
Eles correm para mim.